Vaidades, vaidades, nada mais do que vaidades, ao dizer de Eclesiastes (tudo nesta vida está na Bíblia – no Livro dos Livros, no Livro da Lei -), é só saber procurar. Quando se falou outro dia sobre a ativação de um estudo para se constituir um consórcio intermunicipal do Litoral Norte, reunindo Ubatuba, Caraguatatuba, São Sebastião e Ilhabela, um dos prefeitos afirmou que vai continuar tocando a sua administração, e, se vier o consórcio, nada vai alterar o seu plano de governo.
De plano e ao tomarmos conhecimento dessa informação tentamos obter mais detalhes do referido chefe do executivo, não lavrando êxito o nosso intento, seja através de sua assessoria de comunicação, seja diretamente em seu celular. Jamais o fizemos dessa forma.
Mesmo não alcançando o objetivo, entendemos e respeitamos o seu posicionamento. Possivelmente desconheça o prefeito a razão e as conseqüentes necessidades para o envolvimento de entidades civis procurando auxiliar as administrações públicas, colaborando voluntariamente, sugerindo, criticando construtivamente ou mesmo dialogando e aparando arestas. Não são poucas as entidades que “metem o dedo”, dão o seu palpite, sempre assessoradas por gente do primeiro escalão da administração pública, de escolas particulares, de fundações ou mesmo de empresas privadas que, - a custo zero – circulam livremente no meio empresarial e administrativo, com elos de ligações amplos, por demais conhecidos e bem sucedidos. Só mesmo quem não quer entender a presença de pessoas com todo esse cabedal de conhecimento e participando da vida proativa de seu município é que menospreza, minimiza ou deixa de lado, desdenhando colaboração tão preciosa.
Sob a coordenação da Real Norte, congregando dezoito entidades não governamentais como o Instituto Ilhabela Sustentável, entre outras estão sendo trocadas idéias, manipulados entendimentos no sentido de se discutir amplamente a criação de um consórcio intermunicipal que congregará as quatro cidades do Litoral Norte, ampliando a visão administrativa e oferecendo ao poder público – executivo e legislativo – toda a gama de subsídios num vasto arquivo de estudos, orientações e percepções cidadãs, cuja nomenclatura deverá surpreender aos governantes.
Desprezar uma oferta dessa só mesmo para quem possua exacerbado egoísmo a ponto de se sentir suficiente o bastante, principalmente numa época em que o mundo parece ter ficado menor, graças à globalização. Em tempo real, o que acontece no outro lado do mundo é experimentado ou confirmado entre nós e vice versa. Não há porque, em sã consciência, aceitar-se a negação de quem quer que seja muito menos de um prefeito.
Dias após a manifestação registrada, e, na contramão da assertiva, o mesmo prefeito lançou mão de uma proposta tentando plantar a idéia de uma solução regional para o grande problema do lixo, almejando elevado investimento para a implantação de uma usina térmica, demonstrando convencimento de que o único caminho para a disposição final dos resíduos sólidos produzidos na região é esse sistema.
Excelente a idéia, muito boa a primeira audiência pública realizada, após convocação repentina, razão porque nenhum prefeito compareceu.
Processo semelhante, entretanto já foi iniciado pela FREPAP - Frente Parlamentar Paulista do Litoral Norte - através de um vereador de Ilhabela, Marcelo dos Santos (PPS) coordenador do trabalho e que esteve no Rio de Janeiro fazendo um amplo levantamento da Usina Verde com base na Ilha do Governador.
Afirmamos esta posição não apenas para valorizar o trabalho dessa Frente Parlamentar, mas simplesmente para dizer que o próprio filho do prefeito Ernane Primazzi de São Sebastião, o Ernaninho (PSC) faz bom trabalho relacionado a uma das metas da entidade, o Hospital Regional, com apoio de três dos candidatos ao Palácio dos Bandeirantes: Paulo Skaf, Aloísio Mercadante e Geraldo Alckmin, que se manifestaram favoráveis à reivindicação.
Pode ser que o prefeito (que vai continuar tocando a sua administração) e que não enxerga a necessidade de um consórcio, mude de idéia, mas apenas e tão somente ao verificar um levantamento prévio de dados atuais da Usina Verde do Rio de Janeiro já se dê por satisfeito e entenda como grande idéia e uma futura grande realização a implantação de uma integração regional para a busca de solução aos problemas comuns. O lixo é apenas um deles.
Pergunta-se: são problemas comuns – solução para o lixo e conquista de um hospital regional, entre outros? Ora, está fácil de se entender, respondendo afirmativamente. Não é porque a situação econômica e financeira de um município seja diferente do outro, com receitas polpudas e melhores condições, mas à medida que se pensa em buscar soluções através de parcerias público e privadas - PPP -, há que se subentender o valor mínimo da obra igual ou superior a 20 milhões de reais. Investimento polpudo, indubitavelmente. Por assim ser, unindo-se os municípios num consórcio certamente a resposta para a consecução de objetivos estará mais próxima de um resultado favorável.
Gasta-se um absurdo – financeiramente falando –, hoje em dia, para o transbordo do lixo ao planalto, levando-o a Tremembé que absorve a coleta do Litoral Norte e de outros municípios do Cone Leste Paulista. São valores que, somados os gastos dos quatro municípios, em menos de três anos cobrirá o investimento de uma usina que, além da manutenção e mão de obra previamente determinada tornará a solução mais econômica para todos. Sem contar com o resultado ambiental, haja vista ser denominado Usina Verde esse sistema, por razões muito apropriadas.
Aos prefeitos Ernane Primazzi, Antonio Luiz Colucci, Antonio Carlos da Silva e Eduardo Cesar, a certeza de que farão parte de um consórcio intermunicipal do Litoral Norte, haja vista desejarem encontrar resultados positivos e soluções salutares para questões municipais, algumas divergentes, outras de similitude muito franca e conhecida. Dispam-se de vaidades, porque elas poderão atravancar, atrasar e mesmo impedir que se trilhe o caminho necessário.
Trabalhem juntos, baixem a guarda, e tenham certeza de que o resultado que venha a ser conhecido beneficiará a todos e dividirá os louros de muitas vitórias em conjunto, jamais isoladas.
Contrariem Eclesisastes, mesmo que não seja para sempre, mas pensem no encontro de solução de problemas regionais. Poderão tornar-se, irmanados, e, sem dúvida, pais de muitos filhos. Isso poderá fazer história e história o povo (o eleitor) não esquece.
O Editor