Eterno aprendiz Segunda-Feira, 06 de setembro de 2010
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A arte do relacionamento

O amor de um homem e uma mulher tem uma característica muito especial: não existe amor sem sacrifício. Não existe. Não existe porque a condição humana é assim e o amor sem sacrifício que se vê, só se dá na televisão, no folclore, nas canções de moda e nas pessoas imaturas que ignoram que todo o amor, no fim das contas, implica na negação de si mesmo, como acentua muito sabiamente Enrique Rojas, autor de obras meritórias sobre o tema.

A paciência sustenta o amor e é, na medida certa e coerente, como um termômetro. O verdadeiro amor mede-se e se calcula a si próprio no sofrimento e na dor do que é capaz. Um ser apaixonado – homem ou mulher – prefere as angústias que o outro lhe causa com a sua presença (atentem bem), à anestesiante tranqüilidade a que o condenaria o abandono e a ausência do outro.

Nesse caminhar, temos para conosco mesmo que, na vida, no trabalho no lazer, no convívio familiar, é preciso aprender a escutar. E nesse aprender a escutar – para viver bem – é deveras importante não falar antes da hora. É preciso deixar o outro exprimir os seus pensamentos até o fim, sem interrupção, mesmo que seja naquela base do “eu já sei o que vai falar”.

Tenhamos paciência, mesmo quando se trata de uma daquelas pessoas que se detêm desnecessariamente nos mínimos detalhes, apesar de ser evidente onde queiram chegar.Repetimos: no trabalho, no lazer, no aconchego do lar.

Após ouvir até o fim a história que o outro – qualquer outro – tinha a dizer, principalmente a mulher ou o marido, pensemos durante um tempo o que responder, o que falar. Essa ponderação poupará respostas precipitadas, por isso mesmo tolas, passionais e sem propósitos ou medidas.

Esse hábito é muito importante, principalmente quando o interlocutor está impaciente e disposto a discutir, até brigar ou quando nós mesmos, irritados ou agastados. São necessários sempre dois para a briga acontecer. A tolerância, a paciência, a sabedoria está em não sermos jamais o segundo.

Uma vez pronunciada a palavra que não deveria sê-lo – como a flecha que parte – é impossível recuperá-la, detê-la, evitar que o alvo seja atingido. E vem a reação, o troco, em palavras violentas ou injustas. E depois a tréplica. E depois, sabe-se lá onde as coisas vão parar.

Fere-se mutuamente, principalmente marido e mulher, dizendo, um ao outro, coisas desagradáveis que não traduzem verdadeiros pensamentos e muito menos correspondem os verdadeiros sentimentos.

Lendo sobre o assunto, vamos encontrar posições repetitivas, mas, fixando-nos no lingüista Tannem, temos que “homens e mulheres usam a linguagem com finalidades diferentes. No caso de conflitos interiores, por exemplo, a mulher fala porque a sua forma de elaborar os problemas é fazê-lo verbalmente. Não está pedindo conselhos: o que precisa é poder falar, desabafar, pois é falando que consegue pensar. O homem, ao contrário, normalmente prefere silenciar para resolver os problemas, equacionando-os mentalmente, para depois comunicar a solução a que chegou. À esposa pode ficar a impressão de que o marido é egoísta e insensível e, ao marido, a de que a esposa é uma palradeira (tagarela)”.

Concluindo e voltando ao ponto de partida, saber ouvir e escutar atentamente sempre, é uma das grandes virtudes do ser humano, principalmente entre marido e mulher. Ser paciente e tolerante é necessário para a vida ser mais jovial, sorridente, sob sol abrasador ou chuva intermitente, para que os anos vividos sejam prazerosos.

Redação



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