Crônicas Segunda-Feira, 06 de setembro de 2010
A mandiqüera

Canal Aberto
Editorial
Quem Somos
Edições
Busca
Cadastre-se
Fale Conosco
Galeria de Fotos
Aqui mulher
Articulistas
Carnaval 2010
Ciência
Crônicas
Cultura e lazer
Editoriais
Educação
Eleições 2008
Esportes
Eterno aprendiz
Formadores de Opinião
Gente que orgulha a gente
Geral
História e Arqueologia
Informática
Linha de Frente
Meio Ambiente
Na Ponta do Lápis
No tipiti...
Notas em destaque
Para prefeito eleito ler
Pesca e maricultura
Política
Portos
Religiões
Resíduos sólidos
Saúde
Segurança
Semana de Vela (RISW)2008
Shows
Social
Turismo


Desenvolvido e Hospedado por MODUS Web
Cantaxantina nos olhos dos outros é refresco - Nivaldo Simões

 

Ontem, logo cedo, seu Biditinho Tapioca, velho amigo caiçara lá da Ponta do Rabo Azedo, veio contando que meu tio-avô Casimirus ficou fulo da vida quando soube que criadores de salmão em cativeiro utilizam uma gororoba na ração que é fornecida para esses peixes, visando deixar sua carne bem cor de rosa, aquele rosa-salmão que todos conhecemos. Tal gororoba é feita à base de derivados de petróleo.
 

– Mas rapaz, seu Casimirus ficô injuriado, biste?! Olhe que eu conheço a ele faz um tempãum e nunca bi o homem tãum vravo.

Dona Elzbieta, minha vovó lituana, atesta:

– É verdade! O salmão criado em cativeiro tem a carne esmaecida, acinzentada. Só os salmões de alto mar – que muito raramente chegam aos mares do Brasil – possuem aquela cor linda, característica.

A tecnologia na pesquisa dos aditivos evoluiu a ponto de transformar um peixe de cor pálida em um alimento convidativo. A transformação se dá graças a aditivos chamados astaxantina e cantaxantina, obtidos a partir do petróleo.

Derivado de petróleo... A gente comendo sashimi de salmão, a três por quatro, crente que está ingerindo um alimento super natural e saudável...

O quá!...

Só não estou entendendo uma coisa. Porque tio Casimirus ficou tão bravo, se ele nunca fez a mínima questão de comer salmão, algo que ele vive chamando de peixe de grão fino.

Aí que está: é que o mesmíssimo produto artificial utilizado para deixar o salmão de cativeiro com cor de salmão – as tais astaxantina e cantaxantina – também é usado na ração das galinhas criadas em cativeiro, para deixar – vejam vocês... – a gema do ovo mais amarela, com cara de mais nutritiva, o que não passa apenas e tão somente de uma impressão visual...

Tio Casimirus – que, feito um gambá, é doido, doido, doido por ovo – chegou a espumar e soltar fogo pelas ventas quando soube que as gemas amarelinhas que ele tanto gosta são turbinadas à base de derivados de petróleo...

A idéia do uso de aditivos nos alimentos é fazer com que eles se pareçam o máximo possível com o produto original, e, de quebra, que essa artificialidade se conserve por longos meses.

Praticamente não existe alimento industrializado livre de ingredientes químicos, criados em laboratórios – com funções de conservar, realçar artificialmente o sabor ou colorir os alimentos –, e cujos nomes figuram em letras bem miudinhas nos rótulos das embalagens, o que não ocorre no caso do salmão e dos ovos...

Boa parte dos aditivos alimentares é inócua à saúde, é verdade. Mas alguns deles – como os encontrados em presuntos, salames e mortadelas –, além dos nomes esquisitos, podem ter efeitos perigosos. Os nitritos e nitratos de sódio – usados para retardar a deterioração dos alimentos – podem provocar câncer no estômago se ingeridos em grandes quantidades e durante um longo tempo. Eles só entram na composição dos alimentos porque são usados em dosagens baixíssimas. Mas este escriba não é besta de confiar nessa segurança preconizada pela indústria. Comer em excesso e com freqüência alimentos desse tipo faz mal à saúde e isso é comprovado, ali, preto no branco, sendo que nem sempre a indústria se preocupa em informar a parte ruim.

O beta-caroteno – presente, por exemplo, no tempero em pó do macarrão instantâneo, os miojos da vida – dá cor ao produto. No organismo, converte-se em vitamina A e, nesse caso, faz bem à saúde. Mas, nesse mesmo pozinho com beta-caroteno do macarrão, existem também substâncias tóxicas em baixas proporções. Os estranhos glutamato monossódico, iosinato dissódico e guaniltato dissódico, são realçadores de sabor chapados de sódio, mineral que ameaça a saúde dos hipertensos. Num único pacote desse alimento semi-pronto, o consumidor ingere cerca de 90% do limite máximo de sódio para um dia. Dois pacotinhos estouram, de longe, a cota máxima.

É para as crianças – o público mais sensível ao que é artificial – que o mercado de corantes e aromatizantes trabalha a todo vapor. Nos chicletes, doces, bombons e balinhas, estão os corantes mais fortes. O potencial de tais produtos provocarem alergia é cumulativo e depende de cada um. Uma criança pode ter uma reação depois da primeira balinha colorida, pode desenvolver alergia depois da centésima, ou nunca ter nada.

Existe um corante em especial, o amarelo tartrazina – encontrado em balas e chicletes de cor amarela –, que está sob constante ameaça de sair do mercado de uma vez por todas. O produto, totalmente sintético, apresentou indícios de ser cancerígeno, embora os estudos realizados sobre o corante não tenham sido taxativos quanto ao risco que ele oferece à saúde. Como precaução, água benta e dinheiro no banco nunca fizeram mal a ninguém, é bom não dar aos pequerruchos produtos muito coloridos, especialmente de amarelo.

Mas como falar em poluição ambiental em um país, como o nosso, onde milhões passam fome todo santo dia?

Biditinho Tapioca nunca entraria nessa barca furada dos alimentos impregnados de produtos químicos. Embora tenha passado dos 80 anos, ele tem sua roça – onde planta, entre outros, feijão, mandioca, chuchu, abóbora, milho –, uma pequena horta e uma criação de galinhas. Claro que o peixe e frutos do mar são uma constante na mesa de seu Bidito.

Como energia elétrica sempre foi – e até hoje é – coisa rara nas comunidades caiçaras, foram criados mecanismos naturais para a conservação dos alimentos colhidos na natureza, tendo como base principalmente a técnica da salga.

Já a comida caiçara tem por essência a simplicidade, exatamente em virtude da dificuldade na obtenção dos produtos que não são cultivados pela própria comunidade.

Por isso, quando a gente vê uma receita típica caiçara – o azul-marinho, um peixe ensopado acompanhado por pirão à base de banana verde – levando “manteiga, azeite de oliva, salsinha, alho e pimenta do reino”, de pronto percebe que o cozinheiro pode entender de muita coisa, mas entende de culinária caiçara o mesmo tanto que seu Miditinho é bambambam em física quântica...

E vamos em frente porque, como lembra dona Elzbieta, da escola da vida não há como tirar férias.

Nivaldo Simões



« Home + Crônicas



Notícias Oficiais
Assembléia Legislativa
Câmara Caraguatatuba
Câmara Federal
Câmara Ilhabela
Câmara São Sebastião
Câmara Ubatuba
Legislação estadual
Legislação Federal
Legislação Ilhabela
Legislação São Sebastião
Ministério da Cultura
Ministério do Turismo
Ministério Meio Ambiente
Prefeitura Bertioga
Prefeitura Caraguatatuba
Prefeitura Ilhabela
Prefeitura São Sebastião
Prefeitura Ubatuba
Secretaria Meio Ambiente
Senado Federal

Jornal Canal ABERTO Jornal Canal ABERTO