José Laércio Garcia Rubira, 52 anos, nasceu e foi criado num sítio em Nova Europa, interior de São Paulo. Casado com Vanda há trinta e um anos com quem tem dois filhos. A família mora em Ilhabela desde 1986.
Laércio Ilhabela, nome artístico que escolheu para ser publicamente conhecido, seguiu desta forma as tradições espanholas de quem é descendente – na Espanha o artista liga o nome à região onde vive. Laércio, violonista solo, compositor e arranjador, hoje um dos grandes instrumentistas do Brasil, mas pela região onde morava só conseguiu ter os primeiros contatos com a música tocada aos quatorze anos. Aos dezesseis anos iniciou seu primeiro curso de música, na cidade de Dracena.
Iniciou seus estudos de violão clássico com os professores Mário Manuel e João Fernandes e harmonia com Paulinho Nogueira, amigo que o influenciou na escolha do nome artístico. Dedica-se à pesquisa de violão na música erudita brasileira – principalmente aos choros –, a música caipira e o flamenco, na música espanhola.
Iniciou um trabalho instrumental em parceria com Beto Di Franco que resultou no CD “Violões Choro Flamenco” – fusão do chorinho brasileiro e do flamenco espanhol, lançado em 1996 e indicado para o Prêmio Sharp de Música no mesmo ano.
Em 1997, Laércio lançou o CD “Paisagens de Ilhabela”, que deu origem ao projeto do mesmo nome composto pelo CD, por um concerto de violão, e por uma exposição de fotografias de Juarez Godoy, fazendo uma homenagem à Ilhabela, à Mata Atlântica e à ecologia, com apoio da prefeitura de Ilhabela e Ministério da Cultura.
Lançado em Paris a convite da Embaixada do Brasil em junho de 1997, fazendo parte da programação oficial da tradicional “Festa da Música”, o projeto foi apresentado em várias cidades brasileiras e ainda em Saint-Omer, na França e novamente em Paris, em 1998, a convite de entidades culturais e da Embaixada do Brasil naquele país.
Em maio de 1999, realizou com grande sucesso o concerto de lançamento de seu terceiro CD “Violão Caipira em Concerto” acompanhado da Orquestra Sinfônica Municipal de Americana, sob a regência do Maestro Carlos Lima. Em setembro do mesmo ano o concerto foi reapresentado no Teatro Municipal de Americana, com a apresentação especial de Beto Di Franco e Paulinho Nogueira. Gravado ao vivo, estas apresentações geraram o seu mais novo CD “Caipira Clássico”. Este novo trabalho que une a música caipira tradicional na interpretação ímpar de Laércio Ilhabela e a competente Orquestra de Americana, sob a regência de Carlos Lima, consolida-o como a grande revelação do violão brasileiro dos últimos anos.
Laércio Ilhabela está trabalhando num projeto que consiste em mostrar a grande importância do violão na música brasileira. “Projeto Violões”, terá em sua primeira fase ressaltar compositores e violonistas antigos, até a década de 70. Nomes como: Canhoto, João Pernambuco, Garoto, Guilhermano Reis, Paulinho Nogueira e Baden Powell. O projeto ainda está no início, mas já promete sucesso, tendo em vista os violonistas homenageados e o violonista que apresentará o show. Esta turnê será lançada no Vale do Paraíba.
Laércio escolheu Ilhabela, por opção, para morar e por opção, também escolheu Ilhabela para se apresentar. Um artista internacionalmente conhecido que não precisa de muito esforço para levar o nome de nosso município para todos os lugares em que se apresenta.
“Já trabalhei com quartetos e orquestras e, hoje, minha idéia é focar no violão solo. O violão é o instrumento mais importante na formação da música brasileira. Afinal não podemos esquecer que os melhores violinistas das Américas são brasileiros”, lembra Laércio.
Lídia Lúcia S. Lima