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Beldades, até no mar - 23/7/2010
Fernando Siqueira

Ventos fortes, ondas que vão e vêm; no mar aberto poucos barcos enfrentam as águas frias e a baixa temperatura deste mês de julho. Já o canal que une São Sebastião e Ilhabela (alguns dizem que o canal separa) barcos a vela cruzam o “mar abrigado”, ornamentando as bocainas do sul e do norte, ambas as entradas.

O protetor solar tão necessário em época de sol intenso deve ser usado também nesta época de baixas temperaturas, porque o pouco sol com o vento intermitente causa prejuízos à pele exposta.

E as mulheres que se dedicam à prática de competições (cada vez há mais) bem o sabem, são precavidas. Vimos muitas com blusas de mangas compridas, poucas com luvas, mas tem-se cuidado, bem mais do que anos atrás.

Essa dedicação saudável da prática de esportes antes bafejados apenas pelos homens começou a despertar atenções de mulheres que viram crescer a paixão pela competição náutica.

Pode parecer excêntrico, mas não, porque inclusive coloca a mulher em igualdade de condições. Ainda outro dia, quando batia longo papo com um dos três velejadores de Ilhabela que ganharam o mar rumo ao Velho Mundo, Sérgio, o pai dos menores Jonas e Carol afirmava com todas as letras que confiava em seu filho como marinheiro de grande experiência e que a caçula vai crescendo no seu conceito, pela dedicação, pela rapidez de raciocínio e, ainda, pela maneira simples de encarar algumas difíceis situações na embarcação.

Como ela, garota ainda, muitas há que começaram a dar os primeiros passos na competição náutica com pouca idade e o mérito de seu conhecimento está, também, na orientação segura, sempre firme nas respostas, porque os jovens são muito questionadores, querem saber tudo, e na maioria das vezes, muito depressa desejam ter as respostas.

Interessando-se, conhecendo, passando saber como fazer, o que fazer, quando fazer e porque fazer, é lógico, vão ganhando terreno (ou água do mar e suas ondas) e passam a incorporar um cabedal de conhecimentos que somam ao longo da vida. E bem depressa.

Apesar dese interessarem pelo esporte náutico, as mulheres não deixam a sua feminilidade em momento algum. Estão sempre com os cabelos alinhados, unhas esmaltadas, e, não raro, a maquiagem presente no começo ou no fim de cada competição.

Quando, entretanto, estão em alto mar ou mesmo num canal perfeito para competições tão grande é o seu compromisso com a equipe e com a competição que deixam de lado a vaidade e se dedicam inteiramente à boa causa por elas eleita.

Quem tem a ganhar com isso é o conteúdo, é a companhia dos homens da equipe, valorizada sempre pela presença insuperável dessas mulheres que ornamentam momentos de grande euforia, de vibração e entrega total por uma causa sempre justa – na ânsia de competir, ser feliz e fazer feliz quem está ao seu lado. E, pasmem, sempre conseguem. Com carinho.

Fernando Siqueira



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