Aqui mulher Segunda-Feira, 06 de setembro de 2010
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Ilusão

Nos caminhos sinuosos da vida, deparamo-nos com fatos e acontecimentos que marcam profundamente e calam para sempre.
A maioria das pessoas vive o dia a dia querendo programar tudo para “quando estiverem bem”, prometendo fazer isso ou aquilo só depois desse quando. O caminho não é por aí. Basta começar a fazer que o sentimento aparece, com agente passando a sentir-se bem, porque as coisas começam a mudar de dentro para fora.
É assim: tem-se a intenção de fazer, espera-se estar bem para se fazer e se acomoda. Não deve ser assim, justamente porque intenção sem ação só tem um nome: ilusão. Ouse fazer, inicie a ação e o poder lhe será dado.
Vive-se num mundo de ilusões e pensamos que os órgãos dos sentidos nos mostram a realidade da vida, mas na verdade nos enganamos.
Há muita ilusão em quase tudo que nos cerca. A terra, por exemplo, nós a imaginamos parada, enquanto que, na realidade, ela gira com incrível velocidade. Ela – a terra – é chata, é a sensação que se tem, mas ela é redonda. O sol, bonito, amplo e soberbo, parece girar em torno de nós, habitantes da nave da terra – como dizem alguns predecessores do time de Quiroga, com as suas previsões muito lidas –, mas o que acontece é o contrário, a terra é que gira, e nós giramos com ela em torno da estrela maior.
Se nos iludimos com situações em proporções gigantescas, como em relação à Terra e ao Sol, imagine com as sutilezas do cotidiano! Pensamos que as coisas são simples como vemos, mas na realidade elas são diferentes, dependendo do ângulo ou do que trazemos dentro de nós.
Iludimo-nos, também, com o pensamento, pois imaginamos que as coisas são simplesmente como são e que nada pode modificá-las. Não devemos ter tanta certeza disso. Pessoas – nós e os outros –, além das coisas, modificamo-nos. Hoje somos outros bem diferentes que éramos há 10 anos, e, em conseqüência, mudaram os seus pontos de vista.
Numa cidade modesta como a nossa, de mil atrativos naturais, belezas incontáveis, sentimos que os jovens não têm muita escolha, apesar de serem crescentes as oportunidades de algum tempo a esta parte, mas, eles – os jovens – pensam em tomar outro rumo, irem para a cidade grande, estudar, trabalhar, realizando sonhos.
Assim como eles, você, leitor, já foi estudante, balconista, entregador de pizza, mas hoje você desenvolve uma profissão e vive dela, honradamente. Apesar de todo o seu esforço, muitas são as pessoas que julgam que você é apenas uma das coisas que já fez, e não é bem assim.
Na verdade – essas duas palavras, erroneamente, estão muito na moda –, nem tudo o que é, nem sempre é tudo o que é. Preste atenção e analise, veja bem se não é assim.
São as ilusões desta vida. E elas não passam de ilusões. Não podem ir além de ilusões, porque atrapalham o modo de vermos as coisas, os fatos e acontecimentos que nos cercam e que vivemos.

Fernando Siqueira



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